OS FUNDAMENTOS DA CIÊNCIA CRISTÃ

TERCEIRO FUNDAMENTO

SEM PECADO ORIGINAL

John Minard

 

O Arauto da Ciência Cristã, março de 2012.

“Reconhecemos que o perdão do pecado, por parte de Deus, consiste na destruição do pecado e na compreensão espiritual que expulsa o mal por discernir que ele é

irreal. Mas a crença no pecado, é castigada enquanto ela perdura”.

Terceiro Fundamento da Ciência Cristã, Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, p. 497.

Seis “pontos teológicos importantes” da Ciência Cristã.

Em Ciência e Saúde, Mary Baker Eddy resumiu a teologia da Ciência Cristã em seis “pontos teológicos importantes, ou seja, os fundamentos da Ciência Cristã” (ver p. 497). Nas edições dO Arauto estamos analisando em profundidade cada um desses fundamentos.

Na p. 18 da edição de outubro de 2011, publicamos sobre o quinto fundamento e em janeiro de 2012 sobre o sexto. Agora apresentamos ideias sobre o terceiro.

Terminaremos a série com o primeiro fundamento apresentado em Ciência e Saúde: “Como adeptos da Verdade, tomamos a Palavra inspirada da Bíblia como nosso guia suficiente para a Vida eterna”.

O terceiro fundamento proclama a grande possibilidade de que cada um de nós pode ser libertado do pecado e do sofrimento que ele causa. Ele proclama também a esperança à qual Mary Baker Eddy, a Líder do movimento da Ciência Cristã, se referiu como a “…missão mais elevada do poder-Cristo, a missão de tirar os pecados do mundo”

(Ciência e Saúde, p. 150).

Nos moldes do método do Mestre, ou seja, à maneira como Cristo Jesus libertou a mulher adúltera (ver João 8:1-11) e à forma como curou o homem paralítico no tanque de Betesda (ver João 5:1-14), o fundamento expõe a falsidade da crença no pecado, os efeitos prejudiciais da aceitação dessa crença, e reconhece a compreensão espiritual de que, simplesmente, não há pecado em Deus ou em Sua criação. Assim, o erro do pecado é “perdoado” somente quando ele é destruído.

O pecado é qualquer sugestão de que estamos, estivemos ou temos o potencial para estarmos, de algum modo, separados de Deus.

Ao nos comprometermos com o terceiro fundamento, afirmamos que nossa verdadeira natureza não inclui o pecado original, mas sim a inocência original. Na Bíblia, o livro de Primeiro João declara: “Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado” (3:9). Uma vez que nunca decaímos da graça de Deus, nunca podemos perder nosso direito inato de filhos de Deus puros e sem mácula.

Esse fato nos desacorrenta, nos liberta da falsa doutrina secular de que o pecado é inerente a nós e de que sua influência é inevitável.

As tradicionais concepções equivocadas e errôneas sobre o pecado talvez possam ser a razão pela qual o assunto parece ser evitado, de forma sumária hoje em dia mesmo em muitas igrejas. Para alguns, ele é descartado como uma noção teológica fora de moda, um termo considerado farisaico, crítico e, frequentemente, hipócrita.

Outros estão mais dispostos a pensar no assunto, mas podem ficar confusos e se perguntar: “Mas o que é exatamente o pecado”?

Colocado de maneira simples, o pecado é qualquer sugestão de que estamos, estivemos ou temos o potencial para estarmos, de algum modo, e em algum momento, separados de Deus, o bem sempre presente. Ele afirma que existe um poder oposto, ou realidade material, separado do Espírito infinito e de sua criação espiritual, o homem.

“O pecado foi, e é, a suposição mentirosa de que a vida, a substância e a inteligência sejam ao mesmo tempo materiais e espirituais e, ainda assim, independentes de Deus”, escreveu Mary Baker Eddy em Retrospecção e Introspecção (p. 67). Uma vez que o pecado é uma mentira, apenas supostamente verdadeiro, ele não tem influência real ou poder para nos impedir de vivenciar nossa unidade com Deus, e de sentir a presença poderosa do Amor divino, que nos satisfaz.

Reconhecemos que o perdão do pecado, por parte de Deus, consiste na destruição do pecado…

Em um primeiro momento, a parte inicial do terceiro fundamento pode dar a impressão de sugerir que o pecado seja algo do qual Deus, a Mente, esteja ciente e deveria perdoá-lo e destruí-lo. No entanto, a Sra. Eddy torna claro, em todos seus escritos, que é a lei de Deus, aplicada pela atividade do Cristo, que perdoa o pecado e o extingue. Ela escreveu em Não e Sim: “A lei da Vida e da Verdade é a lei do Cristo, que destrói todo senso de pecado e de morte. Ela faz mais do que perdoar o senso equivocado chamado pecado, porque o persegue, o castiga e não larga o pecado até que este fique destruído – até que não reste nada para ser perdoado, para sofrer ou para ser castigado. Assim perdoados, a doença e o pecado não reaparecem mais. A lei de Deus alcança e destrói o mal em virtude da totalidade de Deus” (p.30).

Devido à totalidade de Deus, nossas virtudes permanecem intactas. Isso é perdão verdadeiro. Mas, o senso comum acerca do perdão parece ignorar, exonerar ou perdoar o pecado, deixando assim a crença falsa incontestada, para que possa ganhar terreno, ou assumir uma forma mais sutil no pensamento mortal. Simular, simplesmente, o perdão, causa mais dano do que bem, deixando um falso senso de segurança, ou de pureza, ao pensar que podemos “pecar e sentir remorso” (Ciência e Saúde, p. 19), pois, afinal, o pecado é “nada”.

Deus e Sua criação são inteiramente espirituais, absolutamente bons, fato que constitui a única realidade de tudo o que existe

Deus, a Mente, jamais poderia manter um controle de nossos pecados, até mesmo com o propósito específico de perdoá-los, porque essa Mente infinita não tem nenhum conhecimento de pecado. A Sra. Eddy escreveu a respeito de Deus: “Deus não precisa conhecer o mal que Ele destrói, assim como o legislador não precisa conhecer o criminoso castigado pela aplicação da lei” (Não e Sim, p. 30).

Não existe nenhum poder separado de Deus e nenhuma influência além de Deus. A totalidade de Deus, o Amor presente sempre em toda parte, exclui a possibilidade de que o pecado possa ser uma força real ou uma influência atrativa sobre nós. Podemos apelar para o poder purificador do Amor a qualquer momento, sempre que nos sintamos atraídos ou tentados pelo falso senso de impulso mortal ou desejo. Em realidade, não podemos manter nenhuma outra perspectiva acerca de nós mesmos, ou de outra pessoa, senão aquela com a qual Deus, a Mente, nos contempla.

E na compreensão espiritual que expulsa o mal por discernir que ele é irreal.

O fato principal na Ciência Cristã é que Deus e Sua criação são totalmente espirituais, absolutamente bons, e isso constitui a única realidade de tudo o que existe.

A partir dessa base, a irrealidade do pecado é exposta e, consequentemente, expulsa.

Ciência e Saúde explica: “O pecador não pode receber nenhum estímulo do fato de que a Ciência demonstra a irrealidade do mal, pois o pecador faria do pecado uma realidade – tornaria real aquilo que é irreal, acumulando, assim, “ira para o dia da ira”. Ele participa de uma conspiração contra si mesmo – contra seu próprio despertar para a terrível irrealidade pela qual foi ludibriado. Só aqueles que se arrependem do pecado e abandonam o irreal podem compreender plenamente a irrealidade do mal” (p. 339). Entretanto, como podemos verdadeiramente abandonar o pecado, quando a tendência para pecar algumas vezes parece tão entranhada em nossa própria natureza? Não importa quão impregnados de pecado pareçamos estar, ou quão atolados na culpa por supostos erros que tenhamos cometido no passado, há libertação.

A cura de qualquer pecado latente no pensamento mortal liberta nossa percepção espiritual.

Para começar, é importante nunca nos rotularmos como “um pecador”. Nunca aceitarmos a sugestão de que o pecado está embutido em nossa identidade.

Ambos o pecador e o pecado são tanto o mentiroso quanto a mentira sobre o homem, ambos conspiradores da concepção errônea, colaborando para a construção de um argumento a favor da realidade do pecado. Algumas vezes, penso neles como dois vigaristas, um finge que está do nosso lado, enquanto sutilmente nos convence a aceitar a fraude do outro. O pecador, falando como nosso próprio pensamento, promove uma visão carnal e vulnerável sobre nós mesmos, e tenta astuciosamente nos persuadir a ficar do lado das supostas influências do pecado. Isso pode aparecer como uma tentativa para justificar a luxúria, o apetite, a desonestidade ou qualquer outro tipo de sentimentos ou atividades destrutivas como irresistíveis, uma vez que fomos convencidos de que o pecado está incrustado em nós.

No entanto, o poder do Cristo está do nosso lado. Ele nos dá força e sabedoria para detectar, corrigir e rejeitar tanto o mentiroso quanto a mentira.

Ao afirmar nossa impecabilidade como herdeiros de Cristo, ficamos alertas às fraudes do pecado. Ao reconhecer nossa pureza, outorgada por Deus, descobrimos o prazer, a satisfação e o valor genuínos, e expomos a vacuidade dos argumentos e atrativos do pecado. Eddy destaca esse ponto chave: “Essa convicção, de que não há prazer real no pecado, é um dos pontos mais importantes na teologia da Ciência Cristã” (Ciência e Saúde, p. 404). Nas alegrias do Espírito, não encontramos nenhuma satisfação no pecado.

Mas a crença no pecado é castigada enquanto ela perdura.

Até mesmo o Cientista Cristão mais sincero e dedicado, talvez tenha, em algum momento, ansiado ou mesmo se esforçado para obter uma cura, o senso verdadeiro acerca de sua identidade espiritual. Nesses casos, o problema talvez seja um senso de pecado não detectado ou enfrentado. Ao tentar voar em um balão de ar quente que está preso à terra, não conseguimos subir muito. Nossa visão do horizonte fica limitada. Mas, soltemos as amarras e então nos elevaremos, movendo-nos sem limites. Assim também a cura de qualquer pecado latente no pensamento mortal liberta nossa percepção espiritual, eliminando a falsa crença que tentaria impedir a cura. Adquirimos uma nova liberdade com maiores alegrias e perspectivas mais elevadas.

Decidi esquecer a doença e meus outros problemas, volver-me humildemente ao Cristo e, simplesmente, ouvir.

Há alguns anos, logo depois que terminei a faculdade, senti-me deprimido por perspectivas limitadas. Não sabia o que fazer em seguida. A esperança de um emprego na carreira que escolhera diminuía rapidamente. O aluguel e as despesas aumentavam de modo assustador. Depois de um tempo, abandonei a busca por emprego e comecei a participar de testes musicais para tocar em shows. Entretanto, os grupos com os quais tocava estavam menos interessados em música do que em um estilo de vida cheio de sensualismo, abuso de substâncias químicas e adulação pessoal. Essas eram tentações atraentes que eu sabia que eram destrutivas para o modelo mais elevado de homem, semelhante ao Cristo, o qual eu realmente aspirava seguir.

Logo desenvolvi sintomas agressivos de tosse constante, fortes enxaquecas, cansaço e fraqueza constantes. Orei para obter a cura na Ciência Cristã e, depois de uma semana, liguei para um Praticista da Ciência Cristã. Apesar das verdades inspiradas que ele compartilhou, os sintomas persistiram.

Certa manhã, em desespero, decidi esquecer a doença e meus outros problemas, volver-me humildemente ao Cristo e, simplesmente, ouvir. Foi uma luta não me distrair com os sintomas. Depois de um tempo, contudo, uma ideia inesperada me veio à mente: O Amor divino é seu companheiro. Tornou-se instantaneamente claro que eu estava perturbado não pela carreira ou pelas preocupações econômicas, mas pela necessidade de purificar meu conceito sobre relacionamentos, ou seja, ansiar por uma satisfação mais elevada do que aquilo que pode ser encontrado na busca por prazeres humanos. O Cristo havia exposto um elemento pecaminoso, centrado no eu, em meu pensamento, e o substituiu por um senso renovado da presença do Amor divino. Um novo amor pelo Amor.

Ninguém precisa ficar dominado pelo medo

Consegui, de imediato, um senso vivo de liberdade. Senti, de forma tangível, a presença e a provisão de Deus. A solidão, a auto piedade e o medo de falhar foram substituídos por um senso recém-descoberto de auto plenitude. O medo de não ter meios financeiros suficientes foi substituído por uma alegre expectativa do futuro.

Por isso, não fiquei surpreso quando, dentro de minutos, todos os sintomas da doença desapareceram.

Não demorou muito para eu ter dois empregos que me trouxeram muita realização na carreira que havia escolhido. Um deles se transformou em um negócio empreendedor próprio, em tempo integral, o qual trouxe novas amizades e um companheirismo alegre e benéfico.

O Apóstolo Paulo nos assegura: “…Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar” (I Coríntios 10:13). Ninguém precisa ficar dominado pelo medo nem sentir-se deprimido, quando a crença do pecado é exposta dessa forma. Ela é exposta porque estamos prontos para expulsá-la.

Ao reconhecer e aplicar as verdades espirituais incorporadas no terceiro fundamento, cada um de nós pode encontrar a libertação da concepção humana errônea acerca do pecado, uma vez que ele não tem nenhum poder, origem ou realidade, pois ele não é de Deus, nem está em Sua criação.

Publicado originalmente em The Christian Science Journal em setembro de 2011.